Os catadores de materiais recicláveis que atuavam no lixão da Mata Grande agora farão parte de uma nova cooperativa e vão trabalhar no Aterro Sanitário, receberão capacitação para trabalhar e dois caminhões da prefeitura, que também vai comprar o lixo, auxiliando-os na geração de renda. O lixão deve ser desativado no dia 2 de setembro e o local vai receber apenas sobras da construção civil e podas de árvores.

O termo de cooperação e ajustamento de conduta foi firmado entre o Sanear, o Ministério Público do Trabalho, o Ministério Público Estadual, a empresa Seger, responsável pela gestão do Aterro Sanitário e a Prefeitura de Rondonópolis. A ação partiu do promotor de justiça, Marcelo Vacchiano e contou com a presença do prefeito Zé Carlos do Pátio (SD) de representantes do Juvam, Semma, Defensoria Pública, Procuradoria do Trabalho, Sanear e Ação Social.

“O intuito é não desamparar estes trabalhadores. Firmaremos um TAC [Termo de Ajustamento de Conduta] para garantir direitos a eles. O que queremos é melhorar a vida destes trabalhadores, garantindo a eles equipamentos de segurança, cesta básica e um subsídio financeiro, além de equipamentos que facilitem o trabalho deles. Será oferecido o auxílio até que possam caminhar sozinhos.Daremos dignidade a esses trabalhadores”, explicou o promotor Marcelo Vacchiano.

A iniciativa pioneira em tratar da questão dos resíduos sólidos foi ressaltada pelo prefeito Zé Carlos do Pátio. Ele comemorou o fato de Rondonópolis ser o primeiro município de Mato Grosso a ter um aterro sanitário em funcionamento, a partir de setembro. “Estou muito feliz hoje porque vamos concretizar o primeiro aterro neste estado. Considero a assinatura um ato cívico, que vai fortalecer os trabalhadores com a organização da cooperativa de resíduos sólidos”, destacou o prefeito.

Segundo o secretário de Meio Ambiente, João Copetti, a cidade vive um ponto chave de transição no que diz respeito à destinação dos resíduos, uma total mudança de rota, que vai cessar o crescimento do passivo ambiental acumulado ao longo de décadas no lixão da Mata Grande. “Com o aterro sanitário entraremos em uma nova era para o meio-ambiente e para a educação ambiental. É um processo gradual, de conscientização coletiva da população em relação à separação e destinação adequada dos seus resíduos domésticos. E isso se estende também para as escalas comercial e industrial”, observa o secretário.

A secretaria de Meio Ambiente está implantando um projeto piloto de coleta seletiva, que será estendido ao Paço Municipal, às demais secretarias, postos de saúde e escolas. A coleta seletiva será retomada em 33 bairros da cidade. O projeto é de que até o final da gestão, a coleta seletiva esteja implantada em toda a cidade.

A solenidade de assinatura, no auditório do Paço Municipal, foi nesta quinta-feira (17), e contou com a presença de secretários e técnicos das secretarias de Educação, Habitação, Meio Ambiente, Ação Social, Administração e Saúde, trabalhadores do segmento, vereadores, além de membros do Poder Judiciário e representantes de organizações e clubes de serviço.

O vereador e presidente da Câmara, Rodrigo da Zaeli (PSDB), disse que este é o primeiro aterro sanitário da cidade e a nova experiência levou os legisladores e outras autoridades até Campo Grande para conhecer o modelo adotado pela capital do Mato Grosso do Sul. “Não vimos ainda nenhuma cidade que tenha feito este trabalho que estamos fazendo aqui em Rondonópolis. Nenhum município foi atrás do trabalhador para ajudá-lo. Simplesmente fecharam o lixão e pronto, não se preocuparam com o pessoal que trabalha no local. Aqui não faremos isso, vamos resguardar os direitos destes trabalhadores que tiram seu único sustento deste processo”, defendeu.