Os vereadores de Rondonópolis receberam alguns segmentos da sociedade durante a Ordem do Dia desta terça-feira (04). O primeiro grupo a conversar com os legisladores foi o do funcionalismo público municipal, que pede a supressão da Classe B, ou seja, a extinção da realização do curso de 240 horas, do Plano de Cargos Carreiras e Vencimentos – PCCV. Sem ele, os servidores ficariam, após a posse e o período do estágio comprobatório, aptos a fazerem pós-graduação e, com isso, elevarem de nível na categoria.

“Gostaríamos que este curso fosse substituído por outros feitos na Semed, visto que o de 240 horas tem que ser ministrado pelo Ministério da Educação e são horas corridas, o que causa prejuízo aos que o fazem. Pedimos a revisão do PCCV neste sentido”, explicou Reuber Teles, vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Rondonópolis – Sispmur.

O segundo grupo a ter o direito de fala na Ordem do Dia foi a diretoria da Associação dos Surdos de Rondonópolis – Assuroo, que solicitaram o apoio para a construção da sede própria. “Agradecemos a acessibilidade que estamos encontrando na Câmara de Vereadores e a aceitação para com os surdos. Não viemos reclamar, longe disso. Viemos pedir o apoio para a construção da nossa sede própria, com acessibilidade, pois vemos muitos surdos escondidos por não nos conhecerem, não saberem da associação. Antes ficávamos desesperados por não sabermos onde buscarmos ajuda, agora encontramos apoio em vocês [legisladores] e queremos mais uma vez contarmos com isso”, explicou o presidente da Assuroo Sérgio Gonçalves, por meio da interpretação de Genival Lima e Rosemeire Lima.

O presidente da Casa de Leis, Rodrigo da Zaeli sugeriu que, com relação a primeira demanda, o sindicato fizesse uma proposta e apresentasse a Câmara de Vereadores, para, posteriormente, debatê-la com o prefeito. No segundo caso, Zaeli e os demais vereadores se comprometeram a falar com o prefeito Zé Carlos do Pátio sobre o assunto.

EM TEMPO

Para fechar a pauta da Ordem do Dia, os vereadores receberam representantes da União dos Negros de Rondonópolis – Unegro Pantanal que, na oportunidade, solicitaram o apoio dos legisladores quanto ao Projeto de Lei 310/2018, de autoria de lideranças partidárias da Assembleia Legislativa, que altera dispositivo da Lei nº 7.879, de dezembro de 2002, data do aniversário da morte de Zumbi dos Palmares e Dia Nacional da Consciência Negra. Pela nova redação, a data permanece como comemorativa no calendário com fins de reflexão, sem o status de feriado estadual. O ato desagradou o movimento negro do município, que se prontificou a fazer uma carta de repúdio aos deputados estaduais.

“A justificativa não se justifica. Dizer que a data causa prejuízo econômico é desonesto. Fazer um projeto neste sentido é demonstrar um racismo institucional. Porque não fazem menção quanto a outros feriados? Essa data é o dia que fazemos palestras, difundimos a cultura e debatemos a importância do movimento negro para todos. Seria válido esses deputados se preocuparem com a saúde, educação e não com temas como este. É lamentável”, disse a presidente da Unegro, Luzia Aparecida do Nascimento.

Zaeli disse que fará uma carta de recomendação aos deputados, para que não levem a frente este projeto, pois a proposta representa uma perda de direitos históricos e um desrespeito a luta dos movimentos negros. Segundo ele, no estado há uma grande parcela de negros e afrodescendentes e isso não pode ser deixado de lado. “Vamos apoiar a iniciativa do movimento e falaremos com os deputados, cada um com seus colegas de partido, para que a pauta seja retirada da Assembleia Legislativa”, concluiu.