O deputado federal Rodrigo Da Zaeli (PL-MT) se posicionou contra o fim da escala 6×1 e usou um argumento que foge do debate patronal tradicional: para ele, o trabalhador que ganhar mais dias de folga vai acabar sem nenhum, porque será obrigado a buscar um segundo emprego para manter o poder de compra. A declaração foi dada em entrevista ao podcast Política de Primeira, do portal Primeira Página.
“As pessoas pensam que vão trabalhar menos. Vão acabar trabalhando mais para poder comprar. Vão ganhar mais, mas vão comprar as mesmas coisas que compram hoje”, afirmou o deputado. “O importante não é quanto você ganha, é quanto você consegue comprar com o que você ganha.”
Para Da Zaeli, a redução da jornada sem mexer nos salários vai pressionar os custos das empresas, que repassarão o aumento para os preços. O trabalhador, com mais folga no calendário mas menos poder de compra, será forçado a buscar uma segunda fonte de renda — e perderá justamente os dias livres que a medida pretendia garantir.
O deputado apresentou dados do agronegócio para reforçar o argumento. “Nós fizemos o levantamento do agro. Se essa escala for colocada, vamos precisar de 22% a mais de trabalhadores. Será que nós vamos conseguir vender nossa soja, nosso milho, nosso algodão mais caro? O preço é tabelado no porto. Não adianta dizer que meu custo é maior.”
Em vez do fim da escala 6×1, Da Zaeli defende um sistema de carga horária flexível, com jornadas de 30 ou 44 horas semanais, conforme o perfil de cada trabalhador e setor. “Nós temos que baixar o custo dos produtos. Esse é o segredo.”
O deputado também destacou a contradição entre o debate público sobre a escala 6×1 e a aprovação, sem votação nominal, de uma folga a cada três dias úteis para servidores do Legislativo. “Para a população discutir seis por um, não. Para dar benefício de uma folga a cada três dias para os servidores do Legislativo, sim. Não tivemos oportunidade de opinar, mas com certeza votaria contra.”

